
TRANSCRIÇÃO DE ARTIGO DO CAMARADA CARLOS PIRES, NO ROSTOS ONLINE:
Tenho sido tentado, confesso mais vezes que o suportável, vir a público opinar sobre os convites para aceitação de pelouros endereçados pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, na sua legal competência, aos Vereadores eleitos para a Câmara Municipal, em particular aos do Partido Socialista.
Porque dos acontecimentos ocorridos neste âmbito, alguns fui testemunha, incomoda-me profundamente que sobre os mesmos se repitam inverdades, se adulterem interesseiramente razões, se omitam objectivamente factos, especialmente por parte de quem participou em porção significativa dos mesmos, onde estive também.
Trago isto assim à escrita por causa da recente pronunciação do Senhor Coronel Nuno Santa Clara Gomes em relação à sua aceitação de pelouro enquanto Vereador da Câmara Municipal do Barreiro. Tenta nesta, o Senhor Coronel, fazer um exercício de prestidigitação, ensaiando mascarar as "qualidades" com que, face a face, olhos nos olhos, vários foram os que o confrontaram sem que os contestasse, tais eram as tendências que já revelava, posteriormente confirmou, e agora, ponto por ponto, prossegue.
Começa por se referir à palavra de ordem sob a qual, não apenas ele, mas toda a candidatura do Partido Socialista, se apresentou ao acto eleitoral autárquico do passado dia 11 de Outubro - Primeiro o Barreiro -, para com tal "ideal" justificar a opção que tomou ao rasgar os compromissos que assumiu com quem o escolheu para liderar essa candidatura à Câmara Municipal do Barreiro. E fá-lo sob o sofisma, já ouvido a outros e que pelos vistos virou moda, de querer estar ao serviço do Barreiro. Mas alguém quis ou lhe exigiu que assim não estivesse? Claro que não, porque esse é, e será, o compromisso de todos os que integraram as listas de candidatos do Partido Socialistas e foram assim eleitos: Servir o Barreiro.
A mistificação de que só quem tem pelouro é que trabalha em prol dos cidadãos esbarra no quadro legal que define a actuação dos órgãos autárquicos, atribuindo aos Vereadores competências muito mais amplas que quaisquer pelouros que lhe sejam delegados. Sem pelouro só não trabalhará em prol da comunidade que o elegeu, quem não quiser ou não tiver competência para o fazer.
Na constatação das evidências refere depois, sem a apresentar, a auto-critica que diz ter feito e, na busca de justificação para os seus actos, misturando cronologicamente os factos, subvertendo por omissão outros, insinuando contestados outros ainda, expressa como lógica conclusão do processo "continuar, na vereação, a pugnar pelo ideal da área política na qual me considero inserido, mostrar trabalho, dar visibilidade à oposição". Mas alguém quis ou lhe exigiu que assim não continuasse? Claro que não, porque essa é, e será, a forma de prosseguir o compromisso assumido por todos os que integraram as listas de candidatos do Partido Socialistas e foram assim eleitos: Trabalhar pelo Barreiro.
Qualquer insinuação de que o Partido Socialista tenha dado orientação aos três eleitos sob a sua candidatura no sentido da não aceitação dos cargos de Vereador que a conclusão do Senhor Coronel pode fazer pressupor, é lamentável por falsa. O que o seu órgão concelhio fez, no âmbito das suas competências estatutárias e em conformidade com o que já foi conferido publicamente, foi avaliar os convites para exercício de pelouros que àqueles tinham sido dirigidos. E, por razões de princípio, face à forma como o processo decorreu, de dignidade, face às propostas apresentadas aos seus eleitos, e de respeito institucional que julga ser devido ao Partido Socialista, face à subalternização de que foi objectivamente alvo, com a legitimidade que detém, decidiu pela não aceitação unicamente de pelouros. Tudo o resto constitui uma tentativa de lançamento de uma cortina de fumo sobre os actos praticados que alimenta o costumeiro espectáculo politiqueiro e propagandístico de diabolização de uns e santificação de outros.
Ver escrito que "não parecia consensual essa posição nas altas esferas do PS do Barreiro" por alguém que participou nas suas reuniões magnas onde, em relação a questões relacionadas com a aceitação de pelouros, foram inequívocas as posições assumidas, é objectivamente observar o falseamento da verdade.
Ver registado que "entre os militantes de base (e não só) a posição que defendi era partilhada por muita gente", só é mesmo explicável como evidente tentativa de compensação e de aligeirar responsabilidades pelas posições unilateralmente assumidas em total desrespeito pelas decisões dos que aqueles democraticamente elegeram e assim os representam.
Ver expresso como desculpa o "arrastamento dos debates no seio da Comissão Política Concelhia do Barreiro do Partido Socialista", quando sabia que a decisão final em relação a esta matéria seria tomada em reunião antecipadamente marcada para data em que se dispusesse de toda a informação, bem como quando acompanhou os outros vereadores eleitos pela candidatura do Partido Socialista na apresentação de uma proposta de aceitação de pelouros, que também subscreveu, é reveladora da falta de solidariedade manifestada em todo o processo, apesar de prometida pela sua própria voz em diversas ocasiões, algumas até públicas.
Quanto às consequências dos seus actos que diz assumir (seja lá o que isto for) como hábito, dado que as políticas pelos vistos não o penalizam, espero que "todos os fins de mês" a sua consciência o lembre de quanto valeu a falta de lealdade para com quem nele acreditou.
No que se refere ao documento apresentado à Comissão Política Concelhia do Barreiro do Partido Socialista, era bom que o Senhor Coronel o tornasse público pois, mais que o texto agora publicado, é esclarecedor da idoneidade moral e política bem como das "fixações" do seu autor nesta matéria.
Do seu empenho em manter-se no pelouro não tenho quaisquer dúvidas, bem como não tive quando da sua pérfida aceitação. Certamente assim lhe fazem bom proveito as ofertas de apoio que diz receber.
Gostaria de registar o profundo desgosto de ver alguém, patenteado de nobre e sob a capa de nobre missão, despudoradamente subalternizar princípios e compromissos que se obrigou a respeitar. Aproveitaria para sublinhar que, se algum léxico o Sr. Coronel pensa ser-lhe assim dirigido e, mesmo tendo-o como ultrapassado, de algum modo o magoa, deverá acreditar que a sua prática dá-lhe actualidade e fere profundamente muito mais quem em si acreditou.
Por constituir procedimento que repudio, não me move qualquer tentativa de "assassínio de carácter" do Senhor Coronel, como é prática de outros. Como inicialmente registei, apenas me motiva a objectivação dos factos ocorridos e o seu posicionamento nos mesmos, contestando indignada e justificadamente posturas que foi revelando e continua a patentear na auto-justificação que agora registou.
Por último não quero deixar de constatar que, quem tão presunçosamente assume para si virtuosismos assentes em princípios, destes prescinda na repetida oportunidade, não se escamoteie, de fragilização política de adversários, não respeite a vontade de uma força política cuja representatividade foi sufragada e se aproveite de debilidades também àquele nível reveladas por quem assim se pôs a jeito. Afinal .
Carlos M. Pires
Cidadão do Barreiro
Membro da CPC do Barreiro do Partido Socialista